Cuidado com as receitas para emagrecer

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Receitas para emagrecer levam à formação de um coquetel perigoso. O uso combinado de anfetaminas, ansiolíticos e diuréticos pode causar a morte de pacientes. A psiquiatra Maria Angélica Gambarini, especialista na área de dependência química, explica que a anfetamina é uma droga que age no cérebro, no centro da fome.

”A gente tem pressa”. A frase, de uma jovem londrinense, retrata bem o que pensam as mulheres que costumam recorrer ao uso de anfetaminas para emagrecer, apesar dos riscos que a droga oferece. Mas tal pressa pode custar caro – há cerca de 15 dias, em Londrina, um médico foi preso acusado de ter causado a morte de uma paciente depois que receitou a ela uso simultâneo de anfetaminas, diuréticos e ansiolíticos. Outros dois médicos da cidade são investigados por receitar fórmulas de emagrecimento que oferecem risco à vida de pacientes.

A psiquiatra Maria Angélica Gambarini, especialista na área de dependência química, explica que a anfetamina é uma droga estimulante, que age no cérebro no centro da fome, diminuindo o apetite. Para isso, a droga faz com que o cérebro ”descarregue” alguns neurotransmissores mais rapidamente que o normal, deixando a pessoa mais alerta, mais agitada.

Em um cérebro normal, sem o efeito de drogas, os neurotransmissores são liberados à medida que o organismo necessita. O ”aviso” de fome, por exemplo, só é dado depois que o corpo já digeriu os alimentos e precisa de mais. No caso de quem tomou anfetamina, os neurotransmissores foram todos ”usados” muito rapidamente, e quando o corpo necessita novamente deles, ainda não deu tempo para a formação de novos.

A médica lembra que o grande problema das fórmulas ”para emagrecer” é que a maioria é associada com outros medicamentos, entre eles ansiolíticos, diuréticos, hormônios e antidepressivos. A associação é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

As substâncias têm ações contrárias e, tomadas ao mesmo tempo, provocam sensação de confusão mental. Enquanto a anfetamina tem ação de acelerar, o ansiolítico é usado para baixar a ansiedade e a agitação. O diurético é usado para que o organismo elimine mais líquidos, dando a sensação de emagrecimento, os hormônios, normalmente ativadores da função da tireóide, para ativar o metabolismo, e o antidepressivo para ”compensar” os efeitos da anfetamina. ”Isso traz uma desorganização tremenda no metabolismo da pessoa”, alerta.

Os primeiros sintomas são de ordem psiquiátrica, o chamado ”efeito rebote” da droga – depressão, ansiedade e apetite aumentados. Na parte física, taquicardia, funcionamento alterado da tireóide e dos rins, e chances de desencadear doenças metabólicas. Segundo a médica, dependendo da dosagem, há chances, ”como qualquer substância que age no sistema nervoso central”, de parada cardiorrespiratória.

O efeito da anfetamina, explica a psiquiatra, é rápido, ”muito parecido com o da cocaína”. Rápida também é a dependência que causa no organismo, fazendo com que a droga não tenha mais efeito no ”emagrecimento”. ”Tanto a anfetamina, quanto o ansiolítico, são drogas que causam dependência rapidamente e isso faz com que as pessoas passem a aumentar as doses”, alerta. Ela explica que cada organismo reage de uma maneira diferente, mas normalmente de 20 a 30 dias depois que a pessoa começou a tomar, não há mais efeito para a perda de peso.

A anfetamina foi estudada e desenvolvida como um medicamento para tratar a depressão, mas foi abandonada alguns anos depois por seus efeitos colaterais. Os antidepressivos modernos, explica a psiquiatra, atuam na regulação dos neurotransmissores que controlam o humor, sem causar dependência. Segundo a médica, a anfetamina hoje não tem nenhum uso na medicina.

”A anfetamina não faz bem nunca, não emagrece porque tem efeito momentâneo, e favorece problemas psiquiátricos como depressão e ansiedade”, alerta.

‘‘Ter boleta é como se fosse uma garantia’’

As jovens entrevistadas pela Folha têm razões parecidas para justificar o uso de anfetaminas: a dificuldade para emagrecer e a pressa para conseguir isto, sem ter que recorrer a dietas e exercícios físicos.

A., de 30 anos, usou ”boleta” pela primeira vez aos 17 anos, e novamente, dois anos depois. Da primeira vez, foram seis meses de uso do medicamento e alterações no lado psíquico: ”era calma e fiquei agressiva”. Da segunda vez, foram oito meses de uso, e efeitos colaterais como tontura e diarréia. ”Reconheço que fui inconsequente tomando uma dosagem tão forte, cheguei a tomar 150 mg de anfepramona por dia”.

Hoje A. está magra, mas reconhece que está ”ficando dependente” do medicamento: ”é o medo de voltar a ser gorda. Ter a ‘boleta’ em casa é como se fosse uma garantia que não vou voltar a engordar”, desabafa.

J., de 28 anos, e P., de 30 anos, não se consideram dependentes do medicamento, mas sabem que correm esse risco. ”Esse que eu tomo agora é fraco perto dos que eu já tomei. Não tenho medo porque nunca senti nada, mas sei que é uma droga e, se não ligasse, não teria diminuído a dose”, constata J. Na primeira vez que usou o medicamento J. ”sentia a boca amarga e muito sono”: ”não tinha fome para nada, só tomava água porque tinha que tomar”, lembra.

”Se eu tomar só a anfetamina fico ‘elétrica’, por isso uso o calmante para rebater um pouco do efeito”, conta P., que tem familiares que também usam o medicamento.

J. e P. relatam que é fácil conseguir receitas para comprar anfetamina em Londrina, e que nem sempre as pacientes tem acompanhamento médico: ”alguns médicos mal olham para tua cara, nem perguntam se você tem algum problema de saúde e já passam a receita, para 60 dias. Depois, quando o remédio está para acabar, é só marcar a consulta, e nem é preciso entrar no consultório, porque a secretária te dá outra receita para mais 60 dias”.(C.P.)

Consumo cresce no Brasil

Femproporex, anfepramona, mazindol, bromazepam – as expressões, desconhecidas da maioria das pessoas, fazem parte do vocabulário de quem é usuário de anfetamina. Os três primeiros, são medicamentos derivados da droga, e o último, um ansiolítico que rebate o efeito da anfetamina.

J. P. e A., jovens mulheres que pediram para não ser identificadas, já usaram mais de uma vez fórmulas para emagrecer e conhecem bem as substâncias acima. Elas fazem parte de um universo que cresce a cada ano no Brasil.

Pesquisa feita pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) em 2001 mostrou que 1,5% da população investigada já experimentou anfetamina alguma vez na vida. Segundo a psiquiatra Maria Angélica Gambarini, foram ouvidas cerca de 8 milhões de pessoas de 107 cidades com mais de 200 mil habitantes, inclusive Londrina.

Dados do Cebrid mostram ainda que, em 2002, brasileiros consumiram 19 toneladas de substâncias anorexígenas e que 70% de todo o fenproporex produzido no mundo são consumidos no Brasil. Hoje, segundo o órgão, o Brasil é campeão mundial de consumo de anfetaminas, com 30 toneladas por ano. (C.P.)

Fórmula mata mulher e médico vai preso

A vendedora Luciani Zanutto de Oliveira da Silva morreu em 2001, depois de ingerir uma fórmula de emagrecimento com derivados de anfetamina e substâncias diuréticas. A fórmula foi receitada pelo médico endocrinologista José Carlos da Costa, de Londrina.

O que a vendedora queria era emagrecer depois de ter passado por uma gestação. Antes de morrer, de complicações cardiovasculares decorrentes da intoxicação por anfetamina, conforme laudos da perícia, Luciani sofreu com efeitos colaterais do medicamento – nervosismo, irritabilidade, dores abdominais e insônia.

O médico endocrinologista José Carlos da Costa foi preso no início de abril deste ano em seu consultório. Ele foi denunciado pelo Ministério Público (MP) por ter provocado a morte da vendedora e é acusado de prescrever medicamentos potencialmente fatais. Além do médico, dois farmacêuticos responsáveis pela manipulação dos medicamentos foram denunciados pela promotoria por homicídio doloso (com intenção de matar).

Outros dois médicos da cidade também são investigados por receitar fórmulas para emagrecer que trazem risco à vida de pacientes. Um inquérito policial apura a denúncia de que só nos dois primeiros meses do ano 106 pacientes de Costa teriam recebido a mesma receita que resultou na morte da vendedora.

Segundo o presidente do Conselho de Farmácia do Paraná, Dennis Armando Bertolini, o órgão está elaborando um documento, em conjunto com o Conselho Federal de Medicina, para orientar médicos e farmacêuticos sobre a prescrição de fórmulas de emagrecimento. A anfetamina só pode ser prescrita de forma controlada, para ser usada no período máximo de três meses. As concentrações variam conforme o subproduto: 25 miligramas (mg) de anfepramona três vezes ao dia (ou 75 mg no total), 3 mg de mazindol por dia, ou 20 a 25 mg de femproprorex por dia.

O diretor do Conselho Regional de Medicina (CRM) em Londrina, Álvaro Luiz de Oliveira, informou que foram abertos processos de sindicância no órgão contra Costa e os outros dois médicos que ainda são investigados. O objetivo é esclarecer e apurar a gravidade dos fatos. As penas do CRM vão desde uma advertência até a suspensão da licença que permite o exercício da medicina. Denúncias contra médicos podem ser feitas no CRM.(C.P.)

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