A automação das salas de musculação e a “virtualização” das salas de ginástica já começou

A automação das salas de musculação e a “virtualização” das salas de ginástica já começou.

SINAIS DO FUTURO NO MUNDO DO FITNESS, o que é o que é? Um jogo cujas disputas lotam estádios e ginásios. As partidas podem durar horas. Os jogos são transmitidos pelo canal SporTV. Alguns de seus jogadores têm mais apreciadores, nas redes sociais, que quatro torcidas de futebol juntas da atual fase da Copa do Brasil – Atlético Goianiense, Paraná, Paissandu e Chapecoense¹. Nas palavras de um desses jogadores “é um jogo mental e muito estressante”. Não é, mas pode até vir a se tornar esporte Olímpico!
Quem pensou “Tênis”… Errou feio! < Tênis já é um esporte olímpico >
A querida “Peteca”, comum na maravilhosa Terra do Pão de Queijo, também não… < Não sabe o que é “peteca”? Descubra aqui e aqui >

Bom, sem mais delongas, o vencedor é…
League of Legends! < lê-se ‘ligue ov légendis’ >

Como é que é?! “Ligue” o quê?

League of Legends (LoL) é um jogo de computador multiplayer com uma audiência global de mais de 100 milhões de pessoas. Há 20 anos atrás ninguém imaginaria que videogames fossem se tornar um mercado global de 100 bilhões de dólares < Wow! >. Ou que alguém poderia se tornar um “atleta profissional” e ganhar a vida jogando videogame. Pois é… O melhor jogador da modalidade tem um salário anual de R$ 8,5 milhões (fora patrocínios)!

O sucesso é tanto que no ano passado a transmissão da final do campeonato mundial de LoL foi assistida por mais pessoas do que a final da liga profissional de basquete norte-americano, a NBA² (!).

Prever o futuro é para cartomante, mas é possível antecipar mudanças sintonizando nossos radares nas pistas que o futuro dá. Basta apontar as antenas na direção certa. Eis alguns sinais:

  1. VI³ é o primeiro Personal Trainer com Inteligência… Artificial!

  2. Technogym firma parceria para incorporar IBM Watson à sua plataforma Wellness⁴.

  3. Rede McFit inaugura primeira academia totalmente automatizada⁵.

  4. 1 em cada 6 pessoas (15%) nos Estados Unidos possuem um dispositivo de rastreamento (wearable device), incluindo relógios inteligentes e pulseiras fitness⁶.

O que isso significa?

A automação das salas de musculação e a “virtualização” das salas de ginástica já começou. Inconcebível no atual contexto econômico e tecnológico brasileiro, é apenas uma questão de < algum > tempo para se tornar uma realidade plausível e, para muitos, indesejável < Professores, cuidado com os robôs! >.

As máquinas das salas interconectadas e “inteligentes” do futuro < próximo > vão ceifar 2/3 dos empregos nas academias de musculação. Essa previsão é minha, e você está lendo isso em primeira mão.

A união de sensores de movimento (vide Xbox Kinect) com máquinas com telas touchscreen e aplicativos embarcados que interagem em tempo real com o usuário (vide Siri), tirando dúvidas, corrigindo movimentos e “motivando” os clientes, vão permitir diminuir em 70% a presença de professores nas salas de musculação.

Essa é uma maneira rebuscada de dizer que eles perderão a função. E perderão o emprego.

O argumento de que “as pessoas gostam do contato humano” não se sustenta na história. Alguém sente saudade de “interagir” com os caixas de banco? Ou com os caixas de pagamento de estacionamento dos shopping centers? Ou com os despachantes de bagagem nos balcões das companhias aéreas?

O alto custo inicial de adoção dessa tecnologia vai ser facilmente justificado na economia gerada pela eliminação de 2/3 de encargos trabalhistas (13º, férias, FGTS, vale transporte e alimentação).

Por que tanta certeza de que o professor será automatizado? Só para baixar custos?

Definitivamente não.

O motivo maior é que < infelizmente > o “job to be done”⁷ que a maioria dos clientes se contentou em receber pode ser feito por dispositivos digitais. Lamentavelmente, a prescrição de exercícios na sala de musculação, via de regra, segue “uma prática homogênea, tradicional e extremamente discutível”⁸. Em outras palavras: O trabalho dos professores é repetitivo, sem criatividade, e com pouca aplicação de capital intelectual. Uff! Essa doeu!

Como então enfrentar o “Supinator”? < Supino + Terminator > 😉

Se as escolas de Educação Física não reverem seus currículos < vejo poucas chances disso acontecer antes da Era das Máquinas > e se os profissionais não se conscientizarem da necessidade de gerar valor agregado para seus clientes e empregadores, entregando serviços de elevada profundidade técnica e, simultaneamente, envolventes, bem elaborados, dinâmicos e seguros, o futuro será sombrio, muito sombrio.

A salvação está em ti, Professor. Levanta-te! Abraça tua profissão usando de toda sua paixão e inteligência cognitiva e emocional! Uso dos versos de Johnny Cash para fazer meu apelo:

“Oh, no, I see a darkness.

Did you know how much I love you?

Is a hope that somehow you,

Can save me from this darkness.”

Ficção distópica? Quem viver, verá. Depois, no futuro, vão me chamar de “visionário”. Ou “Mãe Diná”.

Cleverson Costa

 

PS.: Kaleo oferece uma ótima trilha sonora para refletir sobre esse post. Ouça aqui.

 

  1. Sucesso global, League of Legends tem mundial no Brasil. Isto É, 10/05/2017.
  2. More people watched League of Legends than the NBA Finals. Kokatu Australia, 21/06/2016.
  3. Meet VI, the ‘first true AI trainer’ from LifeBEAM. Wearable, 08/06/2016.
  4. Technogym and IBM bring Watson Artificial Intelligence into wellness. Technogym, 08/03/2017.
  5. McFit set to open first Cyberobics club. Health Club Management, 20/04/2017.
  6. The Rise of Consumer Health Wearables: Promises and Barriers. PLoS Med. 2016 Feb; 13(2): e1001953.
  7. Know Your Customers´”Jobs to Be Done”. Harvard Business Review. 2016 Sep; (pp. 54-62).
  8. Exercícios de Resistência Progressiva (ERP): Uma prática homogênea em função do número de séries. ConScientiae Saúde. São Paulo, 2003. v.2, p. 89-97.

     

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